Escrito por Sharit Sama Zapata, voluntária no Ministério Irmã Rosa de Ferro no Peru
Há uma frase que ouvi há anos e ainda me lembro dela por causa de sua importância: “Não existe coincidência, existe a ‘Deus-incidência’”. E, para ser honesta, houve épocas na minha vida em que eu não conseguia acreditar nisso, especialmente quando olhava para minha própria vida espiritual e sentia que não estava "dando fruto". Eu tentei de tudo: orava mais, servia mais e exigia mais de mim mesma, tentando forçar os frutos, porque, de alguma forma, eu queria me convencer de que era útil a Deus. No entanto, quanto mais eu tentava produzir fruto com a minha própria força, mais seca e exausta eu me sentia por dentro. Mas esta passagem em João 15:16 me fez parar e refletir: “Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda a vocês o que pedirem em meu nome” (NVI).
Estas palavras de Jesus foram proferidas num dos momentos mais intensos do Seu ministério, poucas horas antes da Sua crucificação, no meio da Última Ceia com os Seus discípulos, pouco antes dEle enfrentar o medo, a perda e a confusão. Jesus lembrou-lhes algo essencial: a sua vocação não começava com eles, mas sim com Ele.
Eles não vieram a Jesus por mérito próprio, e nós também não, porque fomos escolhidas, chamadas e designadas por Ele, e isso muda tudo. Se foi Ele quem nos escolheu, então nossa permanência não depende da nossa perfeição ou dos nossos esforços. Não estamos segurando Cristo com nossas mãos frágeis; Ele nos sustenta. Por muito tempo, para mim, dar fruto pareceu mais um fardo do que um privilégio, quase como se Deus estivesse esperando por resultados espirituais enquanto eu tentava sobreviver. Com o tempo, entendi algo: o verdadeiro fruto nunca nasce da pressão; nasce da permanência.
Uma macieira não se esforça para dar maçãs; ela simplesmente permanece enraizada onde recebe vida. Isso me lembrou quando Paulo escreveu: "...ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele" (Fp 2:12b-13). Nossa responsabilidade existe, sim, mas é Deus quem torna a transformação possível. Ele não apenas nos pede fruto, Ele opera em nós para produzi-lo. E essa promessa se repete também em Hebreus 13:20-21: "O Deus da paz, que pelo sangue da aliança eterna trouxe de volta dentre os mortos a nosso Senhor Jesus, o grande Pastor das ovelhas, os aperfeiçoe em todo o bem para fazerem a vontade dele, e opere em nós o que lhe é agradável, mediante Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém". Compreender essa companhia na luta é um grande alívio, saber que Deus nunca exige algo sem também prover o necessário para cumpri-lo.
Mas Jesus não fala de qualquer fruto, Ele nos fala de um fruto que permanece. Não é algo superficial, emocional ou momentâneo. Ele deseja formar em nós um caráter transformado que reflita constantemente a Cristo, um fruto que mostre que entregamos nossas batalhas, que morremos para nós mesmas e deixamos que Ele seja quem os outros veem, para que vejam Deus agindo em nós mesmo enquanto continuamos a lutar todos os dias.
"E isso para que vocês vivam de maneira digna do Senhor e em tudo possam agradá-lo, frutificando em toda boa obra…" (Cl 1:10a). Dar frutos é a prova de uma vida entregue a Deus; é amar quando é difícil, é servir quando ninguém aplaude, é permanecer fiel quando ninguém está olhando, é mostrar Cristo em um mundo desesperado por esperança. E imagine como Deus se sente ao nos ver fazendo o que é certo, mesmo sabendo que não foi fácil. Entregar nossa vontade a Ele não é perder, mas ganhar a paz de saber que Deus já viu o que nós ainda não vemos.
E, finalmente, Jesus acrescenta algo surpreendente: "...a fim de que o Pai lhes conceda a vocês o que pedirem em meu nome" (Jo 15:16b). Isso não significa que Deus promete fazer tudo o que queremos; significa que, quando nossa vida está alinhada com a Sua vontade, nossas orações começam a refletir o Seu coração, a vontade de Deus se torna a nossa e, por fim, tudo se alinha.
Ser escolhida pelo Deus Todo-Poderoso deveria nos encher de alegria, pois Ele enxergou nosso potencial antes mesmo de nós o enxergarmos. E talvez o mais surpreendente de tudo seja que o Deus Todo-Poderoso escolheu confiar em pessoas imperfeitas como nós para refletirmos Sua imagem para o mundo.
A verdadeira questão não é se você é capaz de dar fruto; a verdadeira questão é: você está permanecendo em Jesus tempo suficiente para permitir que Ele produza em você fruto que realmente permanecerá?
